Agarraste-me a mão e passeámos na praia, naquela areia que já não me parecia fria. Estava quase a amanhecer e à medida que os raios de sol nos tocavam a pele eu segurava com mais força a tua mão, tinha medo que fosses embora, que voltasses à tua vida atarefada e desligada do meu mundo e da minha loucura por ti. Deitaste-me ao chão, aquela areia que limitava-se a segurar-nos, deitaste-te a meu lado e começámos a rir-nos como duas crianças. Era tudo tão perfeito. De repente ali estávamos nós, tão juntos como sempre quis estar, sentia-me bem assim, não queria sair dali nunca mais. E, quando já era dia, quando já tudo era sol, olhaste-me nos olhos muito sério. Eu, cheia de medo, limitei-me a baixar a cabeça, como se esperasse a pior das tuas frases. Foi aí que abriste o teu lindo sorriso e abraçaste-me. Como aquele abraço que um dia trocámos, não sei se te lembras, mas eu lembro de cantares enquanto me seguravas. Estou farta disto. Farta de tentar esquecer e o coração sempre a lembrar. Vou deixar de dormir para não poder viver estes momentos.