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quinta-feira, 6 de março de 2008


Acordei com os pequenos raios de sol que entravam por aqueles buraquinhos semi-abertos do estore que deixei ontem à noite, este vício não me há-de largar nunca.
Olhei para aquele relógio que eu tanto odeio, marcava 7.05, achei que ainda era cedo. Para mim, tudo o que seja antes das 8.00 é cedo.
Levantei-me ainda com uma grande preguiça em cima, mas lá teve de ser. Arrastei os meus chinelos já gastos até à casa de banho mais próxima.
Estiquei a minha mão meio adormecida e apalpei a parede durante um bocado, procurava o interruptor.
Entrei, olhei-me ao espelho, abri a torneira da água quente e levei as minhas mãos em concha com água até à cara.
Hoje sentia algo especial em mim.
Peguei naquela toalha bordada à mão pela minha avó, com o meu nome escrito em letras bonitas e trabalhadas, reuni os meus melhores shampôs e amaciadores e meti-os todos debaixo do braço.
Fui a andar, já com alguma convicção, até à outra casa de banho, mais confortável, para poder tomar um bom banho.
Tirei o meu pijama com ovelhinhas, as minhas meias com um cão de cada lado, e enfiei-me dentro do duche. Abri a água e um jacto de água fria passou-se pelo meu corpo. Fiquei em transe. Um pequeno arrepio surgiu, a minha pele ficou do género pele de galinha, mas assim que a água quente começou a correr tudo ficou numa boa.
Saída do banho, meti uma perna de fora, e logo a seguir a outra, olhei para o meu telemóvel que já marcava as 7.30.
Sai da casa de banho a correr, enrolada na minha toalha, tão bonita e feita com tanto carinho, os meus pés estavam descalços, fui a correr até ao meu quarto. Com a cama ainda por fazer, eu não quis saber.
Vesti-me mais rápido que nunca, fui comer o meu iogurte matinal, com uma fatia de bolo feita também pela minha avó, hmmmm.
Acabei de comer e fui enfiar-me novamente na casa de banho. Tirei para fora todos os meus cremes e massacrei a minha pele. Sequei o meu cabelo, lavei os meus dentes, penteei-me como deve de ser, um toque ali, outro toque acolá e estava pronta.
Calçei os ténis que melhor combinavam com a roupa que tinha escolhido para aquele dia tão especial.
Peguei na minha mala já tão velha e usada e dirigi-me para a porta da rua.
Mal saí do prédio, lá estavas tu: o teu sorriso único, embora silencioso, para mim significa mais que muitas palavras que alguém possa vir a dizer. O teu estilo inconfundível, com mãos nos bolsos, outras vezes fora deles, mas sempre único.
Abri a porta do prédio, olhaste-me com o teu olhar mais profundo que alguma vez me tinhas dado. Abriste os teus braços e agarraste-me com mais força do que costumavas ter. Aproveitei o momento e encostei a minha cabeça ao teu ombro, enquanto sentia com as minhas mãos como macias estavam as tuas costas naquele dia.

De repente algo se fez ouvir. Parecia alguém a chamar; "Inês, Inês, Inês..".
Achei aquilo estranho, olhei em meu redor e não vi ninguém, apenas tu que ainda me sorrias e me davas segurança. De repente abri os olhos.
E ali estava eu, com a minha mãe sentada na borda da minha cama a olhar para mim e a gastar o meu nome. Desviei o meu olhar para o relógio e ele ainda marcava as 7.05, tenho uma pequena sensação que o tempo parou naquele momento em que estive a pensar em ti. Não acredito que tenha sido um sonho, apenas uma pequena lembrança que permanecerá para sempre na minha memória.

17:23