quinta-feira, 10 de abril de 2008
Parei de repente, foquei-me na paisagem que está fora da janela, tomei conta das formas rectangulares dos prédios, do intervalo irregular das luzes, do piscar indeciso dos semáforos, dos enfeites pirosos das folhas das árvores, do escuro do céu desencantado de Inverno cheio de nuvens. Afiei melhor o meu lápis já tão gasto que só sabe a saudade das gargalhadas que escrevi nos papéis que atirei em tempos às amigas. Agora este mesmo lápis só sente a dor, o receio, a fúria, a mágoa que nem o seu carvão consegue decifrar. Olhei para a professora e não ouvi comentários, nem perguntas do género "O que é que estás a fazer?". Ninguém me disse "Presta atenção!", nem "Inês, larga o caderno e olha para a frente!". Não lutei com ninguém por um lugar mais à frente. Não sujei a sala de papéizinhos. Apercebi-me, como se fosse a primeira vez que olhasse o exterior, que vai ser isto que vou ver por tempo incerto. Já não vão ser aquelas árvores gigantes, desfolhadas e assombradas a agitar-se ao vento, nem a linha quase perfeita de luzinhas que vou ver para lá da cortina desta sala pequena e abafada. É como se estivesse escrito lá fora, a letras garridas e grandes, "O que foi não volta a ser...".
(na aula de Inglês 10/04/08)
Rita, eu sei que não te deixo leres os meus textos que escrevo nas aulas, por isso decidi passar um dos textos que escrevi para aqui e dedicar-te.
És podre de boa, mesmo quando rejeitas os meus beijos.
Rita : "Júpiter é Deus do dia.. do trovão..."
Inês : "Da meteorologia em geral, vá.."
Olhamos uma para a outra e desatamos a rir, que momentos ! :D
19:10