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quinta-feira, 22 de maio de 2008


Tenho medo de alguns ruídos, mas nunca tinha guardado um tempinho para pensar nisso.
O vento que sopra, os pés que se arrastam dentro dos chinelos, a máquina da roupa que torce, a porta que bate ... o silêncio que se faz sentir.
Eu interiorizo sons e tenho medo.
Medo de portas fechadas e de portas mal abertas, medo da chave que roda na porta, medo das patas do hamster que esgravatam a terra, medo da ventania que bate e re-bate nas persianas, medo da sombra do candeeiro que se agita ... medo.
Hoje vou dormir de luz ligada, vou fingir que tenho cinco anos e me contam uma história, vou fingir que me afagam o cabelo e massajam a cabeça, vou fingir que recebo um beijo na testa mesmo quando já estou com um pé no país dos sonhos.
Hoje vou afugentar os meus fantasmas, vou encadeá-los com a luz da minha imaginação.
Talvez um dia aprenda a dormir como gente grande, mas hoje não.

15:42