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terça-feira, 17 de junho de 2008


Pé-ante-pé
eu vou entrando devagarinho
sem fazer barulho
quero dar-te um beijinho
não te vou acordar até entrar na cama
não te vou interromper naquilo que pensas sonhar
e não te vou mentir
quando sentires o meu aconchegar
porque tu vês através de mim
nem vou ter pressa
senão já não vale a pena
não vou quebrar a nossa promessa
eu vou como quem-não-quer-a-coisa
e vou-te entrar nas entranhas
até não haver mais sitio em ti onde eu não exista
vou assim, entre vales e montanhas
um passo de cada vez
só até ter a certeza
que é isto que eu quero
que é isto a verdadeira beleza
que é isto que tu queres
e não me vou permitir dar motivos para me arrepender
nem vou estranhar-te o medo
quando mais medo não houver para ter
e vou ter calma
e vou-te ouvir
vou-te dar até quereres receber e não vou pedir
e quando não quiseres
não faz mal
eu vou continuar a esperar
até perceberes
a que ponto eu quero chegar
e que não há outra maneira
de se viver em paz
e tu vais ver
vais ver que és capaz
um dia destes nem vais pensar muito nisso
um dia destes vai ser de repente
vais ignorar, e por isso
vai ser visível para qualquer cego
e quando deres por ti...
já alcançaste o meu ego.

(Dedico este post ao Lopes, porque foi ele que me ensinou como escrever poemas com lógica e perfeitos, não estou a dizer que o meu esteja perfeito e lógica é que não tem de certeza, mas os dele são simplesmente qualquer coisa de perfeito.)

14:22