quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Sentia-se bem na piscina que ele a levara. Tinham combinado no dia anterior, e ele (ao contrário dela) cumpria cada promessa uma vez feita.
A vida não corria como ela queria, aquilo que ela mais desejava que acontecesse não acontecia e o que acontecia nunca era da forma que queria. Aquilo que esperava que não acontecesse, às vezes, acontecia e ela tinha de conseguir gerir e não abdicar das coisas que queria que acontecessem e aconteciam. Ela amava a vida, não o mundo.
“Deixa-me lá saborear cada momento, observar cada atitude e sentir cada entrada como se de um prato principal se tratasse.”, pensava ela para o mundo.
Estava-se bem ali. A piscina convidava à permanência e o sol era constante. Uma gaivota voava, era muito parecida à gaivota da estação, talvez fosse o seu anjo da guarda, pensou. Estava tudo bem.
“Freddie, não tenho uma fotografia contigo, por favor tire-nos uma.” – disse o “ele” ao velhote da toalha ao ombro.
“Não se mexam, não façam nada. Esta fotografia vai ficar com o enquadramento perfeito e com a luz muito bem direccionada. Se fizerem alguma coisa ela ficará desfocada, sem luz, talvez queimada. Uma fotografia assim tão bem tirada e com duas pessoas tão completas é demasiado rara para ser queimada, e não vai ser.” – discursou o velho homem com a pele rugosa e queimada de tantos anos de trabalho em baixo daquele sol.
“E isso é bom.” – rematou friamente Freddie.
“Freddie, tu não aprendes.” – resmungou Pedro.
E, entre um encolher de ombros que ela usava como imagem de marca, e as notas duma música qualquer que tocava vinda da vivenda ao lado, acabaram deitados na relva a falar de coisas sem nexo algum. E ela sentia que não precisava de mais nada. Agora, só tinham uma fotografia mas os seus olhares fotográficos valiam muito mais; não banalizavam os ambientes, os beijos, as carícias.
“Vem, vem. Quero-te oferecer algo que nunca te esquecerás” – assustou-a ele, levantando-se de repente.
E desapareceram de mão dadas. Era o primeiro dia dela na velha e cansada cidade que a viu partir sem destino. Lisboa… continuava igual. As casas, a torre, as sés continuavam a formar-se no horizonte e a acabarem no rio que costumava balançar levemente quando, à noite, a brisa passava. Ela ouvia a melodia da cidade e ele parecia a leste.
17:03