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sexta-feira, 17 de outubro de 2008


A chuva ouvia-se a bater lá fora, porque em qualquer história a chuva bate.
Mas desta vez era com força.
Deitado no meio da escuridão que estava, ouvia aquela música que pensava ter sido criada só para si. Levantou-se, abriu a janela e pôs a cabeça de fora. Por momentos deixou a chuva cair devagar pelo cabelo, pela sua cara que tinha agora um sorriso tímido sem saber bem o que pensar daqueles momentos. Desafiou com a sua masculinidade o momento. Deixou a sua música a tocar no repeat, mas baixinho. O som da chuva misturou-se com o instrumental da música que não parava. E ele continuava, ali. Murmurava o nome dela, mas era interrompido por gotas e pelas notas, murmurava-o cada vez mais baixo, como se de um segredo se tratasse. Imaginava-a a não dormir, mas em silêncio enquanto ouvia a mesma música que ele, nos vidros da sua janela, na mesma escuridão em que ele estava mergulhado, ela mergulhava também, a chuva caia e a música tocava, como se ele lhe tivesse pedido uma música perfeita para aquele momento. Para ele, já não havia letra. A letra agora era o murmurar do nome dela em tom baixinho, de forma tímida.
De cabelo molhado, luzes apagadas, e o rosto ainda molhado pela chuva, a música tocava e ele sorria. Tinha parado de chover. Dirigiu-se novamente para a janela do quarto, olhou de longe a noite e disse-lhe:
- Boa noite, vamos dormir.

20:30