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domingo, 15 de fevereiro de 2009


Na minha cama deitada, atiro as almofadas todas para o chão. Não estrago os cobertores tão bem esticados, perfeitos como eu gosto. De olhos abertos, vestida mas descalça consigo ouvir a chuva. E as janelas a vibrarem contra o vento. O meu tecto está branco, reparo. E não penso em ti, nem quero ser capaz de o fazer, não quero. Começou-se a tornar muito mais fácil não pensar, para não ter de sentir. Desligo os candeeiros e as luzes. E o tecto… tão branco e tão escuro.
Fecho os olhos, porque sei que se me levantar vou sentir o chão frio. Prefiro adormecer.E começo a ver-te, a olhar para mim. E eu parada, a ver-te. Não sei se és tu quem eu vejo ou se é a minha mente a mostrar-me a tua imagem, mas eu consigo ver-te, e tu consegues olhar-me.
Eu olho-te e tu vês-me, sempre assim. E começo a andar para perto de ti. Cada vez mais perto e cada vez mais real, chego a ti. Continuas imóvel, e eu a teu lado olho para os teus olhos e por momentos acho que os eles olham para mim também. Eu vejo-te. E sinto-me capaz de te dizer uma palavra, podia estender a mão e encontrar a tua. Mas continuo sem saber se és tu quem eu vejo ou a tua imagem na minha cabeça. Prefiro não arriscar. Continuo imóvel e em silêncio, apenas os nossos olhos conversam. E eu aqui, a ver-te. Lado a lado, sem nos tocarmos, nós.
Porque contigo, não tenho medo do escuro.

13:35